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100palavras

Alfabeto 100palavras

“Esta composição gestaltiana levou anos, literalmente, para ser feita. Foi melhorando na medida em que o tempo – os anos, Deus meu! – foram passando. Publicada a primeira vez em 1958, na revista O Cruzeiro, foi reescrita para várias publicações. Não se consegue fazer esse tipo de coisa, numa sentada só. Tem que ser um pouco chinês.

O A é uma letra com sótão. Chove sempre um pouco sobre o à craseado. O B é um l que se apaixonou pelo 3. O b minúsculo é uma letra grávida. Ao C só lhe resta uma saída. O Ç cedilha, esse jamais tira a gravata. O D é um berimbau bíblico. O e minúsculo é uma letra esteatopigia (esteatopigia, ensino aos mais atrasadinhos, é uma pessoa que tem certa parte do corpo, que fica atrás e embaixo, muito feia). O E ri-se eternamente das outras letras. O F, com seu chapéu desabado sobre os olhos, é um gangster à espera de oportunidade. O f minúsculo é um poste antigo. A pontinha do G é que lhe dá esse ar desdenhoso. O g minúsculo é uma serpente de faquir. O H é uma letra duplex. A parte de cima é muda. Serve também como escada para as outras letras galgarem sentido. O h minúsculo é um dinossauro. O I maiúsculo guarda, em seu porte de letra, um pouco do número I romano. O i minúsculo é um bilboquê. O J, com seu gancho de pirata, rouba às vezes o lugar do g. O j minúsculo é uma foca brincando com sua bolinha. Vê-se nitidamente; o K é uma letra inacabada. Por enquanto só tem os andaimes. Parece que vão fazer um R. Junto com o k minúsculo o K maiúsculo treina passo-de-ganso. O L maiúsculo parece um l que extraíram com raiz e tudo. Mas o l minúsculo não consegue disfarçar que é um número (1) romano espionando o número arábico. O M maiúsculo é um gráfico de uma firma instável. O m minúsculo é uma cadeia de montanhas. O N é um M perneta. No n minúsculo pode-se jogar críquete com a bolinha do o. O O maiúsculo boceja largamente diante da chatice das outras letras. O o minúsculo é um buraquinho no alfabeto. O p é um d plantando bananeira. Ou o q, vindo de volta. O Q maiúsculo anda sempre com o laço do sapato solto. O q minúsculo é um p se olhando de costas ao espelho. O R ficou assim de tanto praticar halterofilismo. Sente-se que o s é um cifrão fracassado. O S maiúsculo é um cisne orgulhoso. Na balança do T se faz jusTiça. O U é a ferradura do alfabeto, protegendo o galope das idéias. O u minúsculo é um n com as patinhas pro ar. O V é uma ponta de lança. O W são vês siameses. O X é uma encruzilhada. O Y é a taça onde bebem as outras letras. Desapareceu do alfabeto porque se entregou covardemente, de braços pra cima. O Z é o caminho mais curto entre dois bares. O z minúsculo é um s cubista.”

O que dizer sobre isso? Millôr Fernandes, assim como Armando Nogueira (aqui fica minha homenagem) é sem palavras.

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Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Sobre a vírgula…

Detalhe adicional:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de “MULHER”.

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Siga as instruções do verso

 As advertências aos consumidores abaixo foram coletadas em Hipermercados portugueses, em duas horas apenas, por um médico brasileiro que ministrou curso em Lisboa a convite da OMS. Todas são absolutamente verdadeiras, inclusive os nomes dos produtos.

Num secador de cabelos:
“NAO USE QUANDO ESTIVER DORMINDO“
(Sei lá, você pode querer ganhar tempo.)

 Em alguns pacotes de refeições congeladas Swan:
“SUGESTÃO DE APRESENTAÇÃO: DESCONGELAR PRIMEIRO“
(É só sugestão, tá ok? De repente o pessoal pode estar a fim de chupá-las como picolé.)

 Numa touca para a ducha:
“VÁLIDO PARA UMA CABEÇA“
(Alguém muito romântico poderia colocar a sua e a da amada na mesma touca.)

Na sobremesa Tiramisú da marca Tesco, impresso embaixo da caixa:
“NÃO INVERTER A EMBALAGEM“
(Opa! Se você leu o aviso, é porque já inverteu!)

 No pudim da Marks & Spencer:
“ATENÇÃO: O PUDIM ESTARÁ QUENTE DEPOIS DE AQUECIDO“
(Brilhante!)

 Na embalagem do ferro de passar Rowenta de fabricação alemã:
“NÃO ENGOMAR A ROUPA SOBRE O CORPO“
(Gostaria de conhecer a infeliz criatura que não deu ouvidos a este aviso)

 Num medicamento pediátrico contra o catarro infantil, da Boots:
“NÃO CONDUZA AUTOMÓVEIS NEM MANEJE MAQUINÁRIA PESADA DEPOIS DE TOMAR ESTE MEDICAMENTO“
(Tantos acidentes poderiam ser evitados se fosse possível manter esses Travessos  miúdos de 4 anos longe dos volantes dos carros e dos tratores Caterpillar)

 Nas pastilhas para dormir da Nytol:
“ADVERTÊNCIA: PODE PRODUZIR SONOLÊNCIA“
(Pode não, deve! Foi pra isso que eu comprei)

 Numa caixa de luzes para decoração de Natal:
“USAR APENAS NO INTERIOR OU NO EXTERIOR“
(Alguém pode me dizer qual é a 3ª opção?)

 Nos pacotes de amendoim da Sainsbury:
“AVISO: CONTÉM AMENDOINS“
(Mania de estragar as surpresas!)

Numa serra elétrica da Husqvarna, de fabricação sueca:
“NÃO TENTE DETER A SERRA COM AS MÃOS OU OS GENITAIS“ 
(Kit de castração caseira?)

 Numa fantasia infantil de Super-Homem:
“O USO DESSE TRAJE NÃO O TORNA APTO A VOAR“
(Olha como isso destrói a imaginação da criança!)

 Num saquinho de batatas fritas:
“VOCÊ PODE SER O VENCEDOR. NÃO É NECESSÁRIO COMPRAR. DETALHES DENTRO“
(100 palavras)

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1 IMAGEM =100PALAVRAS

100 PALAVRASDizem que uma imagem diz mais que mil palavras. Alguém pode me explicar o que essa daí quer dizer?Acho que ela deve estar escrito em russo, chinês ou esperanto.

Eu fico imaginando o insight de quem criou. O que uma mente brilhante dessa não faria pelo câncer ou aquecimento global. Realmente essa peça pra mim é “sem palavras”.

Quanto mais eu olho pra ela mais eu gosto do meu cachorro.

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Eu, minha casa e a reforma ortográfica.

01

Em uma das reformas lá de casa (minha mãe sempre gostou de redecorar a casa) agente teve que ficar num hotel por alguns dias. Tinha que passar o “cascolac”, uma certa substância química que servia para impermeabilizar os pisos de madeira de antigamente. E o negócio era tão corrosivo que não se podia ficar dentro da casa com aquele treco no chão. Eu sinto como se essa reforma ortográfica causasse o mesmo efeito na literatura nacional. As pessoas que vinham produzindo incessantemente coisas interessantes ou não nessa onda de blogs e redes sociais, terão quer passar uma fase num hotel, esperando que o “cascolac” da literatura seque, e que seus efeitos corrosivos sejam dissipados. O que eu esqueci de dizer é que na reforma lá de casa, depois de pouco tempo, o “cascolac” começou a soltar, as madeiras começaram a empenar, e toda noite acordávamos assustados com estalos que mais pareciam tiros vindos do chão. Espero que a reforma ortográfica tenha melhor desfecho que a reforma lá de casa.

Na sequência “pdf” das novas regras ortográficas

Guia – Reforma Ortografica

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Incrível

Eu acho incrível como muitas vezes o mais difícil é fazer o simples.

Esses são 2 exemplos capturados no prédio onde moro, de pessoas que se assustam com o fato de ter que escrever, e por isso ficam apavoradas tanto quanto se estivessem falando em público.

Muita informação inútil, idéias desorganizadas e pouco conhecimento da gramática e de vocabulário podem ser facilmente encontrados nos textos dos mais diversos tipos de pessoas.

A essência da escrita é fazer com que quem leia entenda sua mensagem.

Fica realmente difícil entender um elevador “que é exclusividade de todos, ou um ladrão que não será empedido.”

Escrever simples. Isso é sem palavras.

Aviso flagrado no elevador em do meu prédio em 23/07.

Tudo "pelo" social. Eca!

Ai, meu teclado n_o tem acento.

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Prazer, meu nome é concordância verbal.

Meus melhores amigos são uns sujeitos aí.

Algumas pessoas dizem que eu sou difícil, me desprezam.

Outras simplesmente me ignoram.

Por isso fica aqui a minha colaboração para estreitarmos nosso relacionamento. Você, que escreveu essa pérola, e sua família são meus convidados especiais para uma visita à minha vizinha, a gramática.

Peça flagrada na estrada Campinas – Monte Mor em 18/06.

Nossa! Língua Portuguesa?

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